Hoje eu quero dizer obrigado. Eu quero agradecer de forma justa... Na verdade eu queria mesmo era contar pra todo mundo, fazer do gesto desse cara um exemplo. Dizer pra ele que ele não é um otário, com eu sei que alguns disseram pra ele que ele era.
O fato
Foi na primeira noite do Piauí Pop. Sim, já faz algum tempo. E pra quem não é daqui, Piauí Pop é um evento que reúne um monte de bandas regionais e nacionais em 3 noites de shows. Então, na primeira noite, na sexta-feira, perdi meu celular no meio do campo do Jóquei Clube. Assim que dei pela falta dele, procurei, procurei, liguei várias vezes, chamava e ninguém atendia. Pensei: Tá aí no meio do campo, sendo chutado de um lado pra outro, ou achou um novo dono. Relaxei, afinal só tinha me custado 60 reais e dois anos de contrato com a operadora – ai!!! sem trocadilhos. Mas, surpresa!!! Alguém achou, e, logo que saiu do clube, ligou pro telefone da Tânia, minha noiva. Perguntei: “Você está pensando em devolver o telefone?” E ouvi a resposta desconcertante: “Claro! Não é meu.”
O sujeito se identificou como Flávio, me deu o número do telefone dele, e resolvemos que era melhor fazer contato na manhã seguinte, pois já era tarde demais, e ele já estava em casa. Lá pelas 11 da manhã do sábado, liguei, fui até o trabalho dele, na Guadalajara, e recebi meu telefone intacto. Meio sem jeito, sem saber como agradecer – sempre fui meio travadão – disse obrigado, valeu mesmo e fui andando. Depois achei que tinha feito pouco – minha velha ausência de espírito. Afinal, nos dias de hoje, atitudes assim são mesmo muito raras. Lembro que ele ainda teve tempo de contar que sofreu pressão de algumas pessoas pra que vendesse o aparelho. Mas, firme, resolveu devolver. Um gesto simples, que não devia surpreender ninguém. Deveria mesmo ser o óbvio. Mas surpreende. E como! Muitos o devem ter chamado de tolo, otário e coisas assim. Mas a verdade é que o Flávio demonstrou ter caráter, coisa rara hoje em dia. E eu me senti na obrigação de dar uma forcinha pra que ele levasse isso adiante, que não desistisse de ser assim. E a melhor maneira que eu encontrei foi tornar isso público – aí eu peço a ajuda de você que está lendo isso agora.
Estão errados os que te chamaram de bobo, Flávio. E acho que você deve ter muito a ensinar a essas pessoas e a muitas outras. Eu sei que você deve achar que não fez grande coisa. Mas é com esses pequenos gestos que ajudamos a melhorar o mundo. Muito, muito obrigado. Não pelo telefone apenas, mas pela chance de provar pras pessoas que ainda existe gente como você por aí. Gente que quer fazer a coisa certa, que devolve celulares, pastas de dólares, trocos mal passados. Valeu! Muito obrigado, mesmo!
Escrito por Deto às 01h28
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